sábado, 23 de janeiro de 2010

Origem do Chá

As origens do chá quase se perdem no tempo, com narrativas que misturam a realidade com muitas lendas. A mais conhecida e divulgada remonta há 5000 anos, quando reinava na China o imperador Sheng Nong, um governante justo e capaz, homem de ciência e amante das artes. Preocupado com as epidemias que regularmente assolavam o Império do Meio, Sheng Nong promulgou um édito onde exigia que toda a água fosse fervida antes de ser consumida, uma medida de carácter higiénico que ainda hoje faz sentido em muitos lugares do mundo

A Lenda
Certo dia, no ano de 2737 a.C., num quente verão oriental, o imperador, de visita a uma das regiões distantes que governava, mandou parar a sua comitiva para que todos descansassem durante algum tempo. Os servos começaram então a ferver água para que a comitiva pudesse beber, mas algumas folhas provenientes de arbustos próximos foram arrastadas pelo vento caindo no recipiente em ebulição. Pouco a pouco, a água foi adquirindo uma tonalidade castanha. O imperador, curioso, decidiu provar a estranha infusão e ficou surpreendido pelo sabor extremamente agradável, tornando-se desde esse momento um grande adepto do chá, no que seria seguido pelo seu povo.
Se esta curiosa lenda tem algum fundamento… vale o que vale como todas as lendas! Não deixa, contudo, de imprimir uma aura fantasista e romântica ao nascimento do chá.

Dados oficiais
Sabe-se que a origem do chá remonta ao período imediatamente antes da ascensão da Dinastia T´ang ao poder, entre os anos 618 e 906. Esta família imperial presenciou à divulgação de uma bebida trazida dos Himalaias por monges budistas. O arbusto do chá, uma planta cujo nome científico é Camelia sinensis, crescia em estado selvagem nessa cordilheira asiática, mas foram os chineses que o domesticaram e começaram a cultivar em vastos campos muito bem organizados. Por volta do século IX, o chá fazia já parte dos hábitos dos chineses, como testemunhou o monge budista japonês Ennin, num relato escrito durante a sua viagem ao Império do Meio. Em 780 d.C., um outro monge budista, o chinês Lu Yu, escreveu o primeiro grande livro sobre o chá, o Ch´a Ching, (“Livro do chá”) onde descreve os métodos de cultivo e preparação utilizados no império.
Realça, aliás, Francis Ross Carpenter, no prefácio da tradução da obra, que Lu Yu, com os seus 20 tratados sobre o chá – incluindo um em que discute a importância da qualidade da água utilizada na elaboração desta bebida –, é o mentor da ritualização da preparação de chá.

Para além da China
A disseminação da bebida chinesa, usada para fins medicinais e também em mosteiros budistas enquanto auxiliar da meditação, para o seu vizinho nipónico não foi difícil. Neste aspecto, é ao monge Saicho (mais tarde Dengyo Daishi), fundador do budismo Tendai, que é atribuída a introdução do chá, no início do século IX, no Japão. Quanto aos diferentes modos de preparação das folhas de chá, assentes em distintos estágios de oxidação – fermentado(chá preto), semi-fermentado (oolong) e não fermentado (verde) – remontam à dinastia Ming (1368-1644 d.C.).
Por sua vez, a vasta fronteira da China com a Rússia facilitou, a partir de 1618, a disseminação do chá a terras de czares. De tal forma que este popularizou-se chegando aos diferentes estratos sociais russos e fazendo com que o samovar, utensílio muito apreciado e utilizado para o servir, adquiriu honras de duradouro símbolo da nação. Isto, sem que a Europa ficasse insensível à bebida – a comprová-lo estão o Delle Navigationi et Viaggi, escrito, em 1559, por Giani Battista Ramusio e os textos de frei Gaspar da Cruz, padre jesuíta português que veio a ser o primeiro ocidental a escrever sobre chá.

Sem comentários:

Enviar um comentário